Wednesday, January 25, 2012
Uns medos e (outras) coragens
Daí a escritora Roseana Murray botou no seu livro: "que a vida é um jogo assim, de tantos medos e outras coragens".
Quando somos informados - através de um post de precisão cirúrgica (nem doce, nem duro, nem detalhado, nem seco) - que um dos relacionamentos mais festejados e celebrados de Blogsville chegou ao fim é impossível - para mim - não pensar em medo e coragem: dois sentimentos antagônicos e - por incrível que pareça - complementares.
Como muito bem disse um dos protagonistas do caso "discutir a relação" é algo que agora interessa somente aos envolvidos. Para nós - que ao longo dos anos fomos testemunhas deste encontro de dois e aprendemos a admirar uma relação construída na mais rebuscada simplicidade do desejo de estar junto - resta apenas administrar nossa incredulidade, recuperarmo-nos do impacto e - de pé - aplaudir a maturidade, a sabedoria, a elegância e a coragem de duas pessoas que mesmo no fim da história que escreveram juntas conseguem dar mais uma lição: que o verdadeiro amor por alguém também se manifesta na hora de largar as mãos e deixar o outro ir.
Fim de relação é dor dividida.
É luto compartilhado.
Sofre quem tomou a decisão, quem puxou o gatilho primeiro e teve culhões pra manifestar que algo no reluzente vaso de cristal trincou.
Sofre quem recebe o cartão vermelho, quem planejava o jantar do próximo sábado e - sem muito aviso prévio - descobre que próximo sábado é um lugar que não mais existe.
Sofre quem deixa de amar.
Sofre quem deixa de ser amado.
Sofre quem puxa a mala de cima do roupeiro e abre a porta da casa - deixando a chave na bancada.
Sofre quem fica preso do outro lado da porta. Preso do lado de fora de um amor que não mais lhe pertence.
Sofre um.
E sofre o outro também.
E nesse limbo de angústia e aperto em ambos os peitos escuta-se - sibiloso - o sussuro do medo.
O medo de ter tomado a decisão errada; o medo de ter metido o pé pelas mãos; o medo de não ser bom o suficiente; o medo de não ter sabido gostar como devia; o medo de ter ficado menos interessante, menos potente, menos jovem; o medo de ficar sozinho; o medo da falta que ele vai fazer; o medo de não saber mais desse homem; o medo de querer voltar a um momento para o qual não existe mais regresso.
Tantos medos.
Mas ao contrário do que pregam o medo não apenas nos enfraquece.
Ele também nos faz humanos.
É do homem ter medo.
Porque é ciente do nosso medo que podemos encontrar as nossas coragens.
A coragem pra recomeçar tudo de novo; a coragem pra continuar acreditando; a coragem pra pisar no freio quando chega a hora; a coragem pra enfrentar a dureza de ser preterido; a coragem pra entender que não é o fato de uma relação acabar que desmerece tudo que foi vivido enquanto ela existia e a coragem pra dizer em alto e bom som aquilo que só costumamos verbalizar em pensamentos.
Vive dentro de nós essa coragem para fazer o que sabemos que precisamos fazer.
E fazer da única forma de fazê-lo: sem frescura.
Amor sempre foi questão de respeito.
Mesmo quando acaba.
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blogsville,
fredices
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23 comments:
nossa, vc falou tudo pra mim neste pedacinho.. "Amor sempre foi questão de respeito. Mesmo quando acaba."
E digo mais, tem gente que precisa perder para aprender a respeitar. E dói ainda mais. Eu que o diga!
Mas passa e o importante é continuar tendo coragem de se entregar a alguém, mesmo sabendo que o próximo sábado pode nem existir, sem aviso prévio, sem preparaçao para a dor.
Meu pai eterno, Fred. Que texto foi este? Escreveu realmente com o coração. Mas, com o fim de um relacionamento, realmente... Ambas as partes sofrem. Impossível, né? Foi uma parte de sua própria vida que foi dada a alguém, compartilhada...
É um luto mesmo.
Não sei quem são os envolvidos citados no texto, mas espero que fiquem bem.
Ah, e sobre o Meme... Fique tranquilo, o Serginho vai espalhar, né? Hihihihi
Beijão!
Tem coisas que me deixam sem reação... costumo pensar besteiras, tipo que bom seria se apenas existissem dois comportamentos: olhar/gostar/cheirar e olhar/não gostar/rosnar... a vida seria tão mais simples!
Que porra é essa que nós, humanos, inventamos de sofisticar criando tantas nuances intermediárias entre dois comportamentos. E, a gente sofre tanto navegando nesses mares intermezzos...
Abração.
Fred
Neste período que venho te acompanhando aqui n TPM não tinha visto ainda um post tão forte, bonito, sincero e verdadeiro como foi este.
Você descorreu sobre relacionamento e amor de uma forma sábia e encantadora.
Realmente foi um post digno de admiração, não só pelo que está escrito mas também pelo que vc passou nele.
Um beijo no seu coração.
E a vida continua...
Caraca !! Foi realmente foda isso ...
Fred, o cara que fala sério também quando precisa, não que eu não imaginasse isso, mas ...
Abraço man !!
Blogsville foi sacudida. Eu nem sabia o que falar... e você não jogou para debaixo do tapete. Precisa coragem também para dizer algo numa hora destas. Palavras bem ditas ;-)
Tô precisando dos seus préstimos...vou te mandar um e-mail, ok?
Beijos
Agora quem não tem o que falar sou eu. Confesso que chorei aqui. Obrigados no plural!
não tem ciumes, perfeito pq eu não tenho bloqueios sexuais, pego vc e seu marido também ashuahsuahsuahsau
Belíssimo post, querido, belíssimo.
Oi Fred, tudo bem?
Sempre é triste o fim de uma relação e sempre um lado sai mais machucado, mais dilacerado que o outro, isso é inevitável.
Ai menino, foi um comentário leve, sem fundo de maldade q eu fiz no post do Caverna do Dragão. Foi bem light por sinal, tava meio Zen quando eu escrevi aquilo
kkkkkkkkkkkkkkkk
Um bjo menino
Olho de cá do espelho e tenho certeza que quem escreve assim sabe sobre o que escreveu! vivenciou cada uma das letras e foi sensível o suficiente para colocar aqui o que é uma das maiores do ser humano!
Bjs
é, estamos todos de luto.
esse trecho fala tanto de mim: "a coragem pra continuar acreditando"
=((((
Quando o entrevistei ele dizia tentar bater os 35 do Bratz... Não rolou... Mas tenho certeza que valeu tentar.. Vida que segue!!!
Deu aperto no coração agora...
Muito triste ter que desistir de sonhos, mesmo na esperança de que os próximos serão melhores ainda. Só o tempo mesmo pra colocar tudo em ordem novamente.
Beijim
Fá!
Fred,
Até esqueci de dizer, tem selinho lá no blog pra você.
Beijos de novo!
Identificar e respeitar a hora de ir embora ou deixar ir, equivale a dar um desfecho bonito e digno ao relacionamento, sem tentativas vãs e repetidas de sobrevida, sem aquele discurso de "não deu certo", sem transformar o que foi bom em mágoa e rancor.
Concordo contigo que saber amar inclui ter essa postura, apesar de sabermos que o problema das "partidas" é que as pessoas não vão inteiras...Ficam muitos pedaços delas em nós, espalhados por todo o canto. Daí, só mesmo tempo e paciência pra recolher tudo e guardar no espaço adequado da lembrança.
Lindo o post, guri, maduro, consciente e doce.
Parabéns, adorei!
Um beijo.
Edú e Mau são já dois irmãos e pude conviver com os dois por um tempo. Sempre houfve muito carinho, respeito e amor e isso é o que é mais importante. A gente segue desse lado ainda com os dois, afinal, ninguém morreu. E sempre estaremos ao lado de cada um. Aways!
Confesso que é a primeira vez que leio um texto com tanta propriedade para explicar um assunto tão delicado.
Tocou em cada ponto de forma sucinta, direta e verdadeira..
Acompanho o blog do Edu tb e sempre vi o relacionamento dele como algo seguro e me espantaram os últimos fatos.
Peço, se permite, compartilhar do seu texto no meu blog. Claro, com devidos creditos...
Obrigado...
Abração.
Vou ser bem sincero, pra variar: se um dia maridão e eu terminarmos, a última coisa que vou querer é olhar pra cara dele, justamente por tudo o que tivemos. Ser amigo, muito menos. Amigo conversa sobre relacionamento e não nos vejo contando um pro outro sobre o novo cara sensacional e pauzudo que está pegando.
Não atingi esse estágio de evolução espiritual...rs...Por isso, confesso que torceria bastante para um rolo compressor passar por cima dele e dar ré.
É, disse tudo. Lindo texto.
Abs.
Fred:
Eu odeioooo que você me faça chorar...rs (mas amo você) - de forma comportada e assexuada...rs.
AMEI ESTE TEXTO.
Obs: Me fez lembrar do Gikovate, ele fala umas coisas lindas sobre o término do amor.
Adorootemyhero.
Abraços.
Medo e coragem existem justamente porque são antagônicos. Sem um, não haveria referencial para o outro. A dualidade faz o equilíbrio, e é sempre no extremo de um que o outro se manifesta.
Beijo Fred!
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