Thursday, January 19, 2012

Uma pimentinha

Completei  6 anos em 1982.

A gente não lembra de muitas coisas de quando se tem 6 anos.

Eu lembro de ter cortado a mão na garrafa de Coca-Cola (a cicatriz ficou!), lembro de ter dado uns tabefes no coleguinha do pré-escolar e lembro também do Jornal do Almoço (programa clássico e tradicional aqui do RS) dizendo que Elis Regina tinha morrido.

Com 6 anos a gente ainda não entende tudo que cabe - e que habita - nesse hiato entre nascer e morrer.
Para um menino de 6 anos morrer é nunca mais ver.
É nunca mais saber daquele que morreu.
Morrer - para quem tem apenas 6 anos - é deixar de existir. Simples assim.

Felizmente a gente cresce e vai (para sempre) aprendendo que mesmo aqueles que já se foram podem sim - de alguma maneira - continuar existindo. Seja através das árvores que plantaram, dos livros que escreveram, dos filhos que tiveram ou simplesmente pela forma que tocaram nossas vidas.

Elis tocou a minha com sua voz poderosa, com sua personalidade explosiva, seu sorriso iluminado e com seu balacobaco 100% brazuca. Foi minha mãe - divorciada e apreciadora da vida boêmia nos anos 80 - que me "introduziu" ao swing da Pimentinha (apelido que Elis ganhou de Vinícius de Moraes). Uma cantora  que gravitava - com catiguria - entre a MPB, a bossa nova, o rock, o samba e o jazz. Multifacetada. Cantava com o útero e não contente em apenas cantar, interpretava suas músicas com tamanha veemência que - não raras vezes - chorava durante a performance.

Ao longo de sua meteórica carreira Elis Regina ajudou a lançar nomes como Milton Nascimento e João Bosco no cenário musical, fez sucesso na Europa, engajou-se na esquerda política batendo de frente com a Ditadura Militar e causou polêmica com seu estilo que dizia o que queria, doesse a quem doesse. Viveu apressada. E deve ter sido nessa urgência de viver - coisa que só os "desassossegados" entendem - que acabou - aos 36 anos de idade - perdendo a vida numa overdose de cocaína e álcool.

Embarcou - precocemente - no seu próprio Trem Azul.

Hoje completam-se 30 anos da morte de Elis Regina. E em homenagem a essa gaúcha compartilho com vocês a música que escolhi para que ela "cantasse pra mim" no momento que - em 1998 - eu subi ao palco para receber meu diploma de jornalista:


- "É a promessa de vida no teu coração!"

16 comments:

Frederico said...

Não curto muito as músicas dela, mas reconheço que ela tem um voz linda :)

Cesinha said...

Agora você "pegou" de jeito! E, cá pra nós, eu não tinha nascido, mas simplesmente amo tudo o que ela fez.

Você disse algo que entendo perfeitamente... a vida, como um hiato entre o nascer e o morrer.

Eu tendo mais a considerar que não existe morte (não, não sou "chegado" em espiritualidade, ao menos nesse "formato")... se eu tenho Elis dentro da minha cabeça, você da sua... o que é a morte, heim?

Beijos

Luna Sanchez said...

Eu nasci em 86 e, sendo fruto de uma família que ama Elis, também aprendi a apreciá-la e amá-la.

Diva eterna sim, linda e forte, talento puro.

Que boniteza de post, gatão, me fez chorar.

Vou levar o link pro Twitter.

Beijo, beijo.

Dil Santos said...

Fred, tu tá bem?
Menino, eu sou apaixonado por Elis, acho-a explêndida.
E sua escolha é perfeita, rs.
Um bjo menino

Karlinha Ferreira said...

Não conhecia seu espaço...
Conheci hoje através do link q a Luna deixou no twitter...

Vinho de uma época posterior a Elis, mas seu talento, voz e sensibilidade me alcançou.
Amei seu espaço e a emoção e simplicidade com q vc trata nossa Rainha Elis...
Quanto a essa urgência em viver, conheço bem...


Beijo grande...

G said...

Eu nasci em 92, mas acho que ela ainda é uma de nossas melhores interpretes.

A música escolhida foi uma das melhores, também partindo de você só podia ser coisa boa, excelente bom gosto sempre.

Abs

。♥ Smareis ♥。 said...

Eu não curto muito as música dela, mas ela teve seus momentos de glória, só não soube administrar o seu sucesso, por isso viveu tão pouco.
As pessoas sempre deixa marca na vida gente, seja com palavras, com atos, com música etc. Pode acontecer qualquer mudança na nossa vida, mas aquelas lembranças boas, sempre estarão lá guardadinha num cantinho do nosso coração. Que Deus a tenha em bom lugar. Beijos amigo e ótimo fim de semana.

Latinha said...

Eu me lembro de ver na TV as notícias relacionadas a morte dela... na época também não entendia muito bem o que se passava...

A voz dela é maravilhosa...

Serginho Tavares said...

ela tem o dom de me arrepiar até hoje!

Alan Raspante said...

Ela faz muita falta e morreu muito jovem, mesmo. Adoro Elis e você falou tudo... Ela cantava verdadeiramente, com emoção...

Wans said...

Melo e euma amiga cantam muito bem Águas de março no karaokê. Eu prefiro mais um Abba, saca?

DPNN said...

me lembro da morte dela. De fato não sou fã, não fui e provavelmente não serei. Mas reconheço o talento da moça, embora jamais vou perdoá-la pela Maria Rita (ou por alguém ter dito à sua filha que ela sabia cantar...rs...)

Cores da Crise de meia idade! said...

pra vc ver que a pimentinha era forte.......Até no meio operístico, onde todas as vozes eram colocadas no paredão, Elis era considerada Maria Callas da MPB!
Salve Elis!

Vanderson said...

Eu tive uma época bem "Elis", eu digo, de ouvir Elis obviamente... E adoro demais suas interpretações de canções que só são boas com ela, não tem como ouvir "dois prá lá, dois pra cá" ou mesmo "me deixas louca" na voz de outra pessoa, não mesmo!!!
Abraçoooo!

Cara Comum said...

AMO essa mulher!

Marcos Campos said...

Ela era, e ainda é P-H-O-D-A !!!