Talvez tenha sido influência dos Jetsons (ver Hanna Barbera).
Ou as tardes passadas assistindo seriados como Perdidos no Espaço e Jornada nas Estrelas.
Mas é fato que minha infância (70's-80's) foi vivida frente a uma expectativa de que no (na época) distante ano 2000 teríamos, finalmente, alcançado o futuro. As roupas seriam modernosas, as diaristas seriam andróides e as pessoas poderiam se falar através de telas. Os carros não existiriam... somente as naves. Nada de ruas, semáforos, estradas... apenas o espaço.
Infinito.
Infinita imaginação de criança.
Eu seria astronauta. Com sete anos iniciei o protótipo da minha nave.
Depois optei por ser cozinheiro.
Meses depois - radical - escolhi a vida celibatária. Um padre que poderia cozinhar e nas folgas orbitar em volta da lua.
Só depois que defini ser super-herói. Por super-herói entenda-se jornalista. Afinal Christopher Reeve era Clark Kent. Clark Kent era jornalista. E era também Super Homem rasgando o céu de Metrópole, resgatando mocinhas jogadas de prédios.
Infinita imaginação.
Imaginação preciosa que os anos - e os vincos da pele - teimam em tentar tirar de quem já não é mais criança. Mas eu - na minha também infinita ingenuidade e arrogância - sou Super Homem e jamais entregarei esse que ainda é o território mais livre e indomado do individuo. Sua capacidade de imaginar. De sonhar. De desejar. E de acreditar - no seu íntimo - que a felicidade pode sim ser alcançada.
Quando termina 2010 - primeira década dos anos 2000 - já é sabido que roupas modernosas são assinadas por Herchcovitch; que as diaristas ainda são humanas e querem vale transporte; que quem tem vídeo conferencia no seu plano de celular pode falar pela tela; que o carro que voa chama Transition e custa 194 mil dólares e que, não adianta o que você faça ou quantos anos passem por nós, o futuro nunca chegará. Jamais chegará. Nunca o alcançaremos. Pelo simples fato que o futuro é abstração. Não existe. Ninguém viu. Estamos todos - eu e você que agora lê esse texto - presos aqui neste momento presente.
Infinito presente.
E nem precisa ser homem de aço para entender o que realmente importa, né?
Importa agora. Hoje. Importam essas oportunidades que estão à nossa volta. Disfarçadas de banais... corriqueiras... frugais... mas na verdade oportunidades valiosas. Daqui a alguns dias o mundo todo vai celebrar a chegada de 2011. Festa. Fogos. Comida. Bebedeira. Suruba que seja. Não importa se você odeia ou adora festas de final de ano. Não importa se vai ser Veuve Clicquot ou água da torneira. Não importa se vai ser rodeado de família, amores e amigos ou se vai ser sozinho no apê. Não importa se vai ser mergulhado no mar ou se mergulhado na deprê. Importa é entender a dimensão da oportunidade e do infinito que está encerrado em você estar vivo neste exato momento em que a mágica e a ilusão de tocar no futuro é mais real.
Infinita imaginação?
...............................................
Caros amigos!
Tô saindo agora para a praia. Uns dias fora e depois retorno.
Não estou indo para esperar 2011. Nada disso. Tô indo buscá-lo mesmo. Vou ao seu encontro - de peito aberto - na esperança que seja - para todos nós - um bom (novo) presente.
Feliz Ano Novo!






























